Nos achamos
donos dos vasos do tempo, procurando no chão aqueles cacos e mais cacos do
material que sedimentamos colasticamente ao ornamentamo-lo dia a dia, mas ele
sempre está vazio a medida de onde conseguimos preenche-lo com alguma coisa.
O tempo de
vida é seu conteúdo misterioso, para uns é líquida outro terrena, e há àqueles de
pura brasa ou só tempestade.
Seguimos a
colacionar pedaços como se tudo pudesse retornar fatidicamente ao mesmo quando
não o faz nas mesmas entranhas, e mesmo nessa doçura achocolatadamente amarga
seguimos não numa tentativa em vão, mas numa sabedoria de que estamos
aficcionados pela aspereza do tempo barrídico, sedimentar, arredio e
imemoriável.
A morte leva
pedaços, e somos arrogantemente a "única" espécie que deseja
lembrá-la de nós e dela mesma.
Esse pedaço
não está perdido, ele está aonde foi deixado, mas mesmo assim, vivo em nós como
um espaço globular de sentidos invisíveis e ternos. Esses fragmentos lembram-se
de você quanto você lembra-se deles.
A certa distância
no espaço e no tempo, seu avô está vivo contigo, tudo não passa de um salto
quântico entre as estrelas, mas lembre-se, caro companheiro do filosofar, as
estrelas que você olha no céu a noite, estão olhando para você e seu avô no
passado, tal como para você é o presente. Tudo não passa, em suma, entre vida e
saudade, de espaço entre as estrelas.
Saiba ler nessa anedora torta que satiricamente tenta apontar usando seu dedo indicador o céu à noite antes de te permitir sentir esse espaço dos fragmentos do tempo.
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